letra cifra
início | curadoria | pesquisa | critérios | textos | músicas | depoimentos | mural | busca
Ave Maria
Ave Maria é uma típica valsa do primeiro quarto do século XX. A formação de pianista de Erothides de Campos, natural de Cabreúva, contribui para a consistência melódica e harmônica da canção que chegou a ser gravada por Francisco Alves.

Sua forte característica é o Lirismo, influência da cultura popular camponesa que inundou as cidades do velho mundo e, num espaço de duzentos anos, criou, concomitantemente os primeiros gêneros das canções populares em diversos países. A ballad na Inglaterra, a ariète na França, a seguidilla na Espanha, a canzonetta na Itália. Portugal, sem uma canção popular a oferecer emprestou do Brasil a modinha e o lundu.

Desde o final dos anos setecentos e principalmente nos oitocentos reparamos o abismo melódico que se interpõe entre as modinhas brasileiras e as portuguesas, entre as cantigas de roda brasileiras e as portuguesas. Este lirismo, em parte ligado ao bel canto italiano, fez com que a geração que adentrou o século XX compusesse se derramando em melodismos. Villa-Lobos, Marcelo Tupinambá, Erothides de Campos e, um pouco mais adiante, Francisco Mignone (que compunha temas sertanejos com o nome de Chico Bororó) nos dão uma bela mostra disso.

Erothides representa com maestria este lirismo consoante à canção paulista do início do século XX. Na letra, a memória auditiva do soar do sino desperta a saudade de alguém. A cruz do campanário simboliza a da morte desse amor.

Voltar
Cai a tarde tristonha e serena
Em macio e suave langor
Despertando no meu coração
A saudade do primeiro amor!

Um gemido se esvai lá no espaço
Nesta hora de lenta agonia
Quando o sino saudoso murmura
Badaladas da Ave Maria!

Sino que tange com mágoa dorida
Recordando sonhos da aurora da vida
Dai-me ao coração paz e harmonia
Na prece da Ave Maria!

No alto do campanário
Uma cruz simboliza o passado
De um amor que já morreu
Deixando um coração amargurado

Lá no infinito azulado
Uma estrela formosa irradia
A mensagem do meu passado
Quando o sino tange Ave Maria



Erothides de Campos, compositor e instrumentista, nasceu em Cabreúva SP (15/10/1896) e faleceu em Piracicaba SP (20/3/1945). Aos oito anos iniciou estudos de piano com Francisca Júlia da Silva, poetisa de renome e pianista, e aos 12 anos, integrava uma das bandas de sua cidade, época em que também começou a compor. Em 1905 deixou Cabreúva e matriculou-se, em São Paulo SP, no Liceu Coração de Jesus, onde foi descoberto como exímio flautista.

Em 1908 mudou-se para Piracicaba, onde integrou o conjunto musical da cidade. Nessa cidade, em 1917, escreveu a valsa Mariinha, com versos de Melo Aires, sua primeira composição impressa, editada para piano e orquestra em 1918, com pleno sucesso. Nesse ano transferiu-se para São Carlos SP, onde organizou a orquestra do Cine São Carlos.

Leia mais em “Cifra Antiga”