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Tristeza do Jeca
Tristeza do Jeca do itaporanguense Angelino de Oliveira é provavelmente o maior clássico do gênero Caipira. O texto, eternizado nas vozes de Tonico e Tinoco, é uma verdadeira declaração de princípios do cancionista.

Inicia-se, metalinguisticamente comentando o próprio versar - “nesses versos tão singelos” - necessário para contar o sofrer e a dor. O segundo passo é o cantar, o canto de tristeza: “sou como sabiá, que quando canta é só tristeza, desde o galho onde está”. Mas se há um poeta e um cantador, ainda falta o acompanhamento, a viola, para que o triângulo do cancionista se feche: “nesta viola eu canto e gemo de verdade, cada toada representa uma saudade”. E a canção paulista se faz, “pois o Jeca quando canta, dá vontade de chorar”.

Embora ainda existam controvérsias acerca da data da criação desta música, se em 1918 ou 1924, é inconteste que Tristezas do Jeca se tornou a canção sertaneja mais conhecida do Brasil. De uma melodia pungente, esta música encanta ao retratar o olhar bucólico e do camponês sobre o seu mundo. O cantar sertanejo muitas vezes se imbui de uma leve tristeza, o que realça o sentimento do autor. Uma canção de amor onde o declamante relata sua semelhança com mundo em que vive.

Gravada inicialmente por Paraguassu, foi eternizada nas vozes de diversas duplas sertanejas.


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Nestes versos tão singelos
Minha bela, meu amor
Pra você quero cantar
O meu sofrer, a minha dor
Eu sou como o sabiá
Que quando canta é só tristeza
Desde o galho onde ele está

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada quadra representa uma saudade

Eu nasci naquela serra
Num ranchinho beira-chão
Todo cheio de buraco
Onde a luz faz clarão
Quando chega a madrugada
Lá no alto a passarada
Principia um barulhão

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada quadra representa uma saudade

Vou parar com a minha viola
Já não posso mais cantar
Pois o Jeca quando canta
Tem vontade de chorar
O choro que vai caindo
Devagar vai se sumindo
Como as água vão pro mar

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada quadra representa uma saudade



Compositor e instrumentista, nasceu em Itaporanga em 21/4/1888 e faleceu em São Paulo em 24/4/1964. Filho único de modestos lavradores que se mudaram para Botucatu quando ele tinha seis anos. Autodidata, tocava violão, guitarra portuguesa e violino, na orquestra do Gabinete Literário e Recreativo, e trombone na Banda de Música São Benedito.

Apresentou oficialmente em primeira audição sua célebre canção ou toada paulista Tristezas do jeca no Clube 24 de Maio, em 1918, com seu acompanhamento ao violão. Foi gravada originalmente (sem a letra) pela Orquestra Brasil-América, em disco Odeon lançado no final de 1923.

Em 1926 a Odeon lançou Tristezas do Jeca cantada por Patrício Teixeira com grande êxito. Foi grane sucesso de Tonico e Tinoco.

Morando em Ribeirão Preto SP desde 1924, voltou a Botucatu e abriu uma loja de instrumentos, A Musical, exercendo também as atividades de dentista prático e diretor artístico da PRF-8 Rádio Emissora de Botucatu.

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