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Diversões Eletrônicas
Diversões Eletrônicas do londrinense radicado em São Paulo, Arrigo Barnabé (1951) incorporava, no âmbito da música popular pop/rock, técnicas composicionais da música clássica contemporânea, especialmente referências melódico-harmônicas do dodecafonismo de A. Schoenberg, além da imparidade dos compassos irregulares de Igor Stravinsky. A voz rasgada de Arrigo atuava como uma espécie de mestre de cerimônias, um narrador/locutor, fazendo uso de memórias de novelas radiofônicas e o imaginário das histórias em quadrinho. Até então, em nenhum outro momento da música brasileira a vanguarda tinha sido tão radical. Diversões Eletrônicas está no lado A do clássico álbum Clara Crocodilo (1980).


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Só você não viu
Mas ela entrou, entrou com tudo
Naquele antro, naquele antro sujo
Você nunca imaginou, mas eu vi
No luminoso estava escrito
"diversões eletrônicas"
Era um balcão de bar de fórmica vermelha
E você ali, naquele balcão
- de quê?
De fórmica vermelha
Chorando, embriagado, pedia:
"garçon, mais um gin tônica"
Mas ele te avisou:
"você já bebeu muito, já bebeu demais"
Vai pra casa, moleque
E você foi, cambaleando
Até... até o telefone
Telefone público... blim, blim, blim
E discou, discou, discou
Novamente o mesmo número... número
No fliperama, ela entregava toda sua grana
- pra quem?

Prum boy, prum boyzinho sacana
Ex-motorista de autorama
Agora viciado nessas máquinas de corrida... viciado
Que tinha ganho fama pela sua perícia
Como volante
E pelo tratamento violento que dispensava
A suas amantes
Depois, quando clareou
E eles foram pro hotel
Ela viu um bêbado jogado no chão
E sorriu perversa



Embora paranaense, é considerado o compositor mais importante do que se convencionou chamar de vanguarda paulistana, surgida na década de 1970, no Teatro Lira Paulistana. Desse movimento também se destacariam Vânia Bastos e Itamar Assumpção, que o acompanharam em diversas ocasiões.

Participou, nos anos 1970, do Festival Universitário (TV Cultura), com a canção "Diversões Eletrônicas".

Em 1980, gravou com a banda Sabor de Veneno seu primeiro LP, "Clara Crocodilo", disco no qual mescla o rock com arranjos dodecafônicos e atonais da música erudita. Concebido com uma unidade temática, as canções narram a história de Clara Crocodilo, monstro criado a partir de uma experiência de laboratório.



Musicista, sound designer e empreendedora cultural, foi produtora e diretora da Cultura FM de São Paulo e editora de música da revista Bravo!. Parceira de Arrigo Barnabé em composição e arranjo, recebeu Bolsa Vitae de Artes para pesquisa musicológica sobre H.J. Koellreutter, de quem foi aluna em estética e regência. Comissionada pela emissora alemã WDR, compôs a peça Metropolis São Paulo sobre a paisagem sonora da cidade. Conferencista em congressos internacionais de música contemporânea e linguagens acústicas, hoje dirige a produtora Silente, voltada a eventos musicais e multimeios. Coordenou simpósios dos institutos franceses IRCAM e GMEM no Brasil, é curadora de música contemporânea e colabora com instituições como CPFL e Petrobras. Estuda música desde os 5 anos. Leia mais no site da Academia Brasileira de Música

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